
O Bahrein é composto por 33 ilhas, como a capital Manama, a principal delas. Está conectada à Arábia Saudita, sua vizinha e aliada, através da ponte mais cara já construída na região do Golfo.
Ao contrário do que se costuma pensar sobre pequenos países do Golfo, ricos em petróleo, a população do Bahrein é pobre e precisa trabalhar. O árabe local típico no Kuwait, Qatar, Emirados Árabes e Arábia Saudita, vestido de branco e dirigindo uma Ferrari, por aqui é uma cena bem rara.
O governo acaba tendo que auxiliar a população através de programas assistencialistas, além de dar mensalmente a cada adulto a quantia equivalente a US$ 700 para os sem escolaridade e US$ 900 para quem tem graduação universitária. Além disso, oferece casa, carro, escola e hospital. A longo prazo, o resultado é uma população preguiçosa e dependente. Ao invés de ensinar a pescar, dão o peixe por aqui.
Ainda com resquícios das disputas internas que vem sofrendo entre famílias xiitas e sunitas que querem comandar o país sob o lema de buscarem democracia, na verdade querem mesmo estar mais conectados ao Irã, de maioria xiita. É possível ver check-points policiais pela cidade e também muitos militares. Para se ter uma ideia da rixa entre sunitas e xiitas no país, suas mesquitas são construídas separadamente para que cada grupo étnico se sinta mais à vontade para rezar longe do rival.
A vizinhança, rica e independente graças ao solo rico em petróleo e gás, não quis se envolver na disputa interna do Bahrein e nem cogitou enviar tropas para dar assistência ao país. O Bahrein não tem recursos naturais valiosos. Construiu várias refinarias e fez disso seu principal ganha-pão. Tornou-se independente da Arábia Saudita há 30 anos, mas frequentemente recorre ao país quando precisa de um empurrão econômico.
Empresas estão fechando as portas e as famílias de expatriados estão abandonando o país, outrora uma terra onde cultivavam sonhos. Se a crise de 2008 já havia dado uma forte balançada no país, a péssima situação política terminou por afundá-lo de vez. O turismo foi drasticamente afetado, e vários eventos mundiais foram cancelados, dentre eles a Fórmula 1. Hoje se encontra uma cidade quase vazia e cheia de medo. O oásis virou miragem!
Fonte: Opinião e Notícia |